2 milhões de músicas. Esse é o volume colossal de conteúdo gerado por inteligência artificial que a **Deezer** recebe todos os meses. A plataforma de streaming revelou dados que mostram uma transformação radical no ecossistema musical. E os números indicam que estamos apenas no começo dessa nova era sintética. ## O tsunami sintético nos streamings > "Esse volume de músicas sintéticas representa quase 75 mil uploads diários, ou 44% do total publicado todos os dias." Segundo levantamento divulgado pela [Deezer](https://canaltech.com.br/apps/deezer-recebe-mais-de-2-milhoes-de-musicas-por-ia-todo-mes/), o impacto das IAs generativas é imediato e massivo. Ferramentas como **Suno**, **Udio** e **Lyria** facilitaram a criação de faixas completas em poucos segundos. Qualquer pessoa agora pode produzir um álbum inteiro sem nunca ter tocado um instrumento musical. Isso gerou um gargalo logístico e ético para as plataformas de distribuição digital. ### O peso no upload diário Para se ter uma ideia da escala, quase metade de tudo o que sobe para os servidores da empresa é robótico. São **75 mil novas faixas por dia** que não possuem um compositor humano por trás das notas. Essa avalanche de conteúdo desafia a curadoria tradicional e a infraestrutura técnica do serviço. >📌 LEIA MAIS: [Entenda como as IAs de música estão mudando o mercado](https://canaltech.com.br/ultimas/) ## Como a Deezer identifica os robôs A empresa não está assistindo a esse movimento de braços cruzados. Uma ferramenta própria de detecção foi desenvolvida para separar o que é humano do que é puramente código. Essa tecnologia é capaz de analisar padrões sonoros que denunciam a origem sintética da obra. ### Números acumulados em 2025 Os dados compilados pela plataforma são impressionantes e mostram a aceleração do fenômeno. Apenas em 2025, a **Deezer** já identificou cerca de **13,4 milhões de faixas sintéticas** em seu catálogo. Esse monitoramento constante é essencial para manter a integridade do ecossistema de streaming.  ## O paradoxo do consumo invisível Curiosamente, embora o volume de upload seja gigantesco, o público ainda prefere o toque humano. A plataforma afirma que o consumo dessas faixas totalmente sintéticas ainda é considerado baixo. Atualmente, elas representam entre **1% e 3% do total de reproduções** globais no aplicativo. Isso sugere que, embora as máquinas produzam muito, elas ainda não conquistaram o coração dos ouvintes. >📌 LEIA MAIS: [Confira as últimas análises de aplicativos de música](https://canaltech.com.br/analises/) ## Tolerância zero: as novas restrições A **Deezer** anunciou medidas drásticas para conter o avanço descontrolado das IAs. O objetivo principal é proteger os direitos de artistas reais e evitar a diluição de pagamentos. Confira as principais ações implementadas: - **Rotulagem**: Todas as faixas criadas por IA serão identificadas explicitamente para o usuário. - **Algoritmos**: Conteúdos sintéticos serão removidos das recomendações personalizadas. - **Playlists**: Editores humanos não incluirão músicas de IA em listas oficiais. - **Royalties**: Streams considerados fraudulentos ou puramente robóticos serão excluídos dos pagamentos. ### Adeus à alta fidelidade para IAs Uma das medidas mais curiosas envolve o armazenamento técnico das faixas. A plataforma decidiu que deixará de armazenar versões em **alta resolução (Hi-Fi)** de músicas geradas por IA. Isso economiza espaço em servidores e prioriza a qualidade sonora para artistas humanos. Na prática, a música sintética será tratada como um conteúdo de "segunda classe" técnica. > "É responsabilidade da indústria proteger os artistas e ser transparente com os clientes", afirmou **Alexis Lanternier**, CEO da Deezer. ## O impacto no bolso dos artistas A grande preocupação de executivos e músicos é a chamada "diluição de royalties". Se milhões de músicas de IA recebem poucos plays cada, o montante total de dinheiro é desviado. Isso retira recursos que deveriam ir para compositores que dedicam meses a uma única obra. O sistema da **Deezer** tenta garantir que o dinheiro dos assinantes chegue a quem realmente cria. >📌 LEIA MAIS: [Veja como a tecnologia impacta o setor de aplicativos](https://canaltech.com.br/apps/) ## O futuro da indústria musical O cenário atual levanta questões profundas sobre a definição de arte e propriedade intelectual. Se uma IA treina com músicas de artistas famosos para criar algo novo, quem é o dono? As plataformas de streaming estão na linha de frente desse embate jurídico e tecnológico. Empresas como a **Deezer** tentam encontrar um equilíbrio entre inovação e justiça. ![O aumento de ferramentas como Suno e Udio mudou o jogo da produção musical (Fonte: Canaltech/Divulgação)](https:/